Saber outra língua...
Parece bobagem pensar que saber uma outra língua pode de fato te ajudar em alguma coisa em seu próprio país, mas o fato é que ajuda! A narrativa a seguir é o fiel relato de uma situação real ocorrida em 2005, em São Paulo:
Eu trabalhava em uma Lan House que foi convidada à participar do Salão Internacional de Tunning. Naquele tempo, os jogos online estavam em alta, em especial o Need For Speed, que lançava sua obra prima, Need for Speed Underground 2. Bem, o jogo em si não vem ao caso. O que precisamos entender é que a Lan em que eu trabalhava montou um stand dentro do Salão, o que colocou a mim e meus colegas de trabalho com free-pass dentro do maior evento de tunning do Brasil até então.
Como tivemos que mobilizar boa parte dos computadores da lan, a mesma esteve fechada boa parte do evento, e todos os funcionários estavam no Salão. Não precisávamos trabalhar muito e podíamos andar livremente pelos corredores a maior parte do tempo. No começo foi tudo maravilhoso! Carros modificados, música, lindas modelos, tudo o que se podia esperar de um evento de primeira. O que ninguém contava era com o calor! Pois se você conhece São Paulo sabe que a cidade é imprevisível! Em pleno mês de Maio o calor dentro da Bienal do Ibirapuera era insuportável (nem tudo era culpa do clima, afinal haviam carros sendo ligados, acelerando e soltando fumaça num ambiente fechado!).
Como eu havia dito, tínhamos free-pass dentro do salão, mas haviam algumas áreas VIP que eram de entrada exclusiva de VIPs (olha só que coisa!). Dessas, a que mais se destacava era o bar RedBull, com open bar, DJ, as mais belas modelos do evento todo e o mais importante de tudo: ar condicionado! Eu tinha que me colocar lá dentro mas a segurança era pesada, para entrar era necessário um bracelete daqueles de papel/plástico com logo da balada e que rasga quando retirado. E como se não bastasse, havia um bracelete para homens e outro para mulheres. Ao conversar com as modelos do nosso stand, descobri que até era possível conseguir um bracelete, mas era muito difícil mesmo para elas (À propósito, conversar com as modelos me trouxe uma nova perspectiva sobre mulheres bonitas. Em geral, modelos de evento parecem não perceber que são lindas! A grande maioria é solteira e tem auto-estima muito baixa!).
Não seria fácil. Conseguir um daqueles braceletes era tão difícil que parecia mais fácil pedir pra entrar. Foi aí a sacada! Lembram como começou este post? As vantagens de se saber uma outra língua em seu próprio país. Bem se seu próprio país é o Brasil as vantagens aumentam, pois brasileiros ADORAM estrangeiros! Tudo o que eu precisava fazer era pedir para entrar, mas tinha que fazer isso em inglês.
Como o Salão estava distribuindo muitos brindes, troquei minha camiseta pela camisa pólo de uma das marcas que estavam divulgando no Salão e me dirigi às portas do paraíso. Procurei alguém que pudesse entender inglês e logo pensei no DJ. Cheguei até ele e disse que queria entrar. O máximo que ele conseguiu dizer foi: “Nou inglix! Gãlfrend! Ueiti!”
Nem 1 minuto depois chegou a namorada do DJ, que falava alguma coisa de inglês. Disse a ela que meu nome era Josh e gostaria de experimentar o RedBull e se ela poderia abrir para mim. Mais que depressa ela foi até a porta, abriu e eu entrei, sem pulseira, sem ser VIP. Apenas entrei. Pedi um Red Label com RedBull e bati papo com o barman, que descobriu que eu, Josh, era de Detroit e estava vendo as novas tendências do tunning na América Latina para uma grande montadora.
Foi ótimo! Mas ainda faltava alguma coisa. Eu havia ido sozinho!!! Ninguém tinha compartilhado esta experiência comigo e eu não poderia deixar ficar assim! Voltei para o nosso stand (lembra... eu estava lá a trabalho) e peguei minha colega e amiga pelo braço. Enquanto arrastava a pobre coitada pelo Salão ela dizia: “Calma... onde a gente tá indo??? Quer ir mais devagar???” e eu apenas disse: “A partir de agora seu nome é Jennifer, você é minha namorada, mora em Detroit e tá quase desmaiando de calor!”
Como ela também estava tentando entrar na RedBull, entendeu de cara o recado e fomos de mãos dadas até a porta do stand, mas ao invés da namorada do DJ, estavam duas modelos na porta. Pensei que isso não seria um problema, como havia sido fácil da outra vez, não haveria motivo para problemas agora. Cheguei na porta e perguntei em inglês se podíamos entrar. A modelo pediu para eu esperar com um gesto de mão e falou para a outra: “Tá vendo! Esse deve ser o gringo que aquela menina colocou pra dentro! Ela nem é nada do stand!!! Agora o cara vai trazer a família inteira e a gente não tem o que fazer!” – Enquanto isso, eu e minha amiga apenas olhávamos um para o outro e para as modelos, acenávamos meio que positivamente com a cabeça, como se não estivessemos entendendo nada!
Por fim entramos os dois, tomamos RedBull com todas as bebidas do bar e voltamos para nosso stand com um sorriso no rosto e um gostinho de missão cumprida (ou de álcool)!
Por enquanto é só! Fiquem atentos para as novas postagens e sempre comentem! Quero saber o que vocês acharam, se já passaram por algo parecido etc.
Obrigado pela atenção,
The Wise Penguim